GÊNEROS LITERÁRIOS!
NESTA PÁGINA VOCÊ APRENDE UM POUCO MAIS SOBRE OS GÊNEROS LITERÁRIOS.
CONTO
Contos são narrativas curtas, nas quais o escritor cria seus personagens e monta uma determinada situação de maneira bem concisa. Dessa forma, ele precisa pintar - com poucos traços - pessoas, cenários e tramas que sejam convincentes.
Como o espaço é pequeno, o autor procura concentrar a atenção do leitor num único ponto de interesse. As histórias podem ser lidas de forma independente. Hoje você lê um conto, amanhã outro. Tudo bem.
Em: Literatura para todos: Conversa com educadores.
Em: Literatura para todos: Conversa com educadores.
Júlio Cortazar também esceveu sua definição de conto. Veja. É uma narrativa que contém três elementos essenciais: tensão, intensidade e significação. Ou seja, é um recorte significativo da vida de uma personagem (conflito, drama, situação) ao qual esses três elementos reunidos conferem efeito de coesão e coerência. Na maioria das vezes esse efeito é alcaçado por meio de uma narrativa breve ou não muito extensa.
Nas palavras dos alunos das oitavas de 2012 "Conto é uma história bem legal que, quando a gente lê bem, encontra outra história escondida ainda mais legal que a primeira!"
Ou, veja como o autor Moacyr Scliar define - lindamente - este gênero.
O CONTO SE APRESENTA
Não, não adianta olhar ao redor:
você não vai me enxergar. Não sou uma pessoa como você. Sou, vamos dizer assim,
uma voz. Uma voz que fala com você ao vivo, como estou fazendo agora. Ou então
que lhe fala dos livros que você lê.
Não fique tão surpreso assim: você
me conhece. Na verdade, somos velhos amigos. Você me ouviu falando de
Chapeuzinho Vermelho e do Príncipe Encantado, de reis, de bruxas, do Saci –
Pererê. Falo de muitas coisas, conto muitas histórias, mas nunca falei de mim próprio.
É o que vou fazer agora, em homenagem a você. E começo me apresentando: eu sou
o Conto. Sabe o conto de fadas, o conto de mistério? Sou eu. O Conto.
Vejo que você ficou curioso. Quer
saber coisas sobre mim. Por exemplo, qual a minha idade.
Devo – lhe dizer que sou muito
antigo. Porque contar histórias é uma coisa que as pessoas fazem há muito
tempo, muito tempo. É uma coisa natural, que brota de dentro da gente. Faça o
seguinte: feche os olhos e imagine uma cena, uma cena que se passou há muitos
milhares de anos. É de noite e uma tribo dos nossos antepassados, aqueles que
viviam nas cavernas, está sentada em redor da fogueira. Eles têm medo do
escuro, porque no escuro estão todas as feras que os ameaçam, aqueles enormes
tigres, e outras mais. Então alguém olha para a lua e pergunta: por que é que
às vezes a lua desaparece? Todos se voltam para um homem velho, que é uma
espécie de guru para eles. Esperam que o homem dê a resposta. Mas ele não sabe
o que responder. E então eu apareço. Eu, o Conto. Surjo lá da escuridão e, sem
que ninguém note, falo baixinho ao ouvido do velho:
- Conte uma história para eles.
E ele conta. É uma história sobre um
grande tigre que anda pelo céu e que de vez em quando come a lua. E a lua some.
Mas a lua não é uma coisa muito boa para comer, de modo que lá pelas tantas o
tigre bota a lua para fora de novo. E ela aparece no céu, brilhante.
Todos escutam o conto. Todo mundo:
homens, mulheres, crianças. Todos estão encantados. E felizes: antes, havia um
mistério: por que a lua some? Agora, aquele mistério não existe mais. Existe
uma história que fala de coisas que eles conhecem: tigre, lua, comer – mas fala
como essas coisas poderiam ser, não como elas são. Existe um conto. As pessoas
vão lembrar esse conto por toda a vida. E quando as crianças da tribo crescerem
e tiverem seus próprios filhos, vão contar a história para explicar a eles por
que a lua some de vez em
quando. Aquele conto. No começo, portanto, é assim que eu
existo: quando as pessoas falam em mim, quando as pessoas narram histórias –
sobre deuses, sobre monstros, sobre criaturas fantásticas. Histórias que
atravessam os tempos, que duram séculos. Como eu.
Aí surge a escrita. Uma grande
invenção, a escrita, você não concorda? Com a escrita, eu não existo mais
somente como uma voz. Agora estou ali, naqueles sinais chamados letras, que
permitem que as pessoas se comuniquem, mesmo à distância. E aquelas histórias –
sobre deuses, sobre monstros, sobre criaturas fantásticas – vão aparecer em
forma de palavra escrita.
E é neste momento que eu tenho uma
grande ideia. Uma inspiração, vamos dizer assim. Você sabe o que é uma
inspiração? Inspiração é aquela descoberta que a gente faz de repente, de
repente tem uma idéia muito boa. A inspiração não vem de fora, não; não é uma
coisa misteriosa que entra na nossa cabeça. A boa idéia já estava dentro de
nós; só que a gente não sabia. A gente tem muitas boas ideias, pode crer.
E então, com aquela boa idéia, chego
perto de um homem ainda jovem. Ele não me vê. Como você não me vê. Eu me apresento
a você, digo – lhe que estou ali com uma missão especial – com um pedido:
- Escreva uma história.
Num primeiro momento, ele fica
surpreso, assim como você ficou. Na verdade, ele já havia pensado nisso, em
escrever uma história. Mas tinha dúvidas: ele, escrever uma história? E assinar
seu próprio nome? Será que pode fazer isso? Dou força:
- Vá em frente, cara.
Escreva uma história. Você vai gostar de escrever. E as pessoas vão gostar de
ler.
Então ele se senta, e escreve uma
história. É uma história sobre uma criança, uma história muito bonita. Ele lê o
que escreveu. Nota que algumas coisas não ficaram muito bem. Então escreve de
novo. E de novo. E mais uma vez. E aí, sim, ele gosta do que escreveu. Mostra
para outras pessoas, para os amigos, para a namorada. Todos gostam, todos se
emocionam com a história.
E eu vou em frente. Procuro
uma moça delicada, muito sensível. Mesma coisa:
- Escreva uma história.
Ela escreve. E assim vão surgindo
escritores. Os contos deles aparecem em jornais, em revistas, em livros. Já não
são histórias sobre deuses, sobre criaturas fantásticas. Não, são histórias
sobre gente comum – porque as histórias sobre pessoas comuns muitas vezes são
mais interessantes do que histórias sobre deuses e criaturas fantásticas: até
porque deuses e criaturas fantásticas podem ser inventados por qualquer pessoa.
O mundo da nossa imaginação é muito grande. Mas a nossa vida, a vida de cada
dia, está cheia de emoções. E onde há emoção, pode haver conto. Onde há gente
que sabe usar as palavras para emocionar pessoas, para transmitir idéias,
existem escritores.








Essa pagina é muito boa ass: Guilherme Maciel
ResponderExcluire Cleiton